A troca no comando da Casa Civil do governo de São Paulo vem sendo interpretada, por interlocutores próximos ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), como a sinalização mais clara até agora de que o projeto nacional do gestor foi deixado de lado e de que o foco passou a ser a reeleição em 2026.
Na semana passada, Tarcísio promoveu uma mudança no comando da Casa Civil, que saiu do comando de Arthur Lima e passou para Roberto Carneiro.
Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é de que a mudança não faria sentido caso Tarcísio ainda considerasse disputar a Presidência da República.
A CNN apurou que, em caso de disputa ao Palácio do Planalto, uma nova troca na pasta poderia ocorrer em poucos meses, o que tornaria a decisão de agora pouco racional do ponto de vista administrativo e político.
A leitura predominante é de que a mudança atende a uma necessidade de reforço na articulação política. Até aqui, a Casa Civil vinha operando com perfil mais burocrático e voltado a processos internos, o que, segundo aliados, dificultava a tradução das entregas do governo em visibilidade política junto à população e à base aliada.
Nos últimos meses, o governo estadual estruturou um centro para organizar prioridades e acelerar decisões, mas a avaliação interna é de que isso não foi suficiente para dar conta da complexidade política da gestão.
A Secretaria de Governo, comandada por Gilberto Kassab, vinha cumprindo parte desse papel, mas aliados reconhecem que a demanda passou a ser maior do que a capacidade atual da estrutura.
A chegada de um nome com perfil mais político à Casa Civil é vista como uma tentativa de preencher esse espaço. O novo secretário tem trânsito frequente na Assembleia Legislativa, mantém diálogo direto com deputados e despacha com regularidade no Legislativo, o que tende a facilitar negociações e a coordenação da base governista.
Fontes também destacam que a mudança ajuda a reequilibrar forças dentro do governo. Com o fortalecimento do PSD, partido de Kassab, a nomeação reforça o Republicanos, legenda do governador, e reorganiza o tabuleiro interno da gestão.
Nesse contexto, aliados citam ainda a expectativa de que Diego Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), passe a integrar a estrutura do governo, atuando como ponte com Michelle e com a família Bolsonaro, um ativo político considerado relevante para a montagem do palanque estadual.
Com cerca de 12 partidos na base, Tarcísio passa agora a enfrentar o desafio de fazer uma engenharia política capaz de contemplar as principais siglas com cargos estratégicos. Interlocutores avaliam que o novo chefe da Casa Civil terá papel central nesse processo, inclusive na reorganização do secretariado diante da saída de nomes que devem disputar as eleições.
Para aliados do governador, a mudança consolida uma nova fase do governo: menos voltada a especulações nacionais e mais focada na construção política necessária para sustentar o projeto de reeleição em São Paulo.
CNN Brasil












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